A Influência da música no ser humano

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A música, em todos os tempos, foi reconhecida como um agente unificador e estimulador durante a atividade física. Verificou-se experimentalmente que a música diminui ou aumenta a energia muscular. Isto certamente justifica o uso da música em conexão com trabalho que requer movimentos sincronizados.

Trabalhadores em muitas culturas cantavam não somente como meio de aliviar a monotonia de seu labor, mas também por causa do efeito unificador exercido sobre eles. Hughes, reconhecendo que a música vigorosa aumenta o grau de pulsação e de respiração, afirma:

Ocorre, algumas vezes, que os jovens se esforçam mais e por um período mais longo na dança do que nas ocupações mais proveitosas e menos rítmicas. De modo semelhante, tem-se observado que uma banda em marcha, faz com que os soldados se esqueçam de sua fadiga, pelo menos por algum tempo, permitindo-lhes marchar com renovado vigor.

Entretanto, Soibelman descobriu que, embora seja a música rítmica um auxilio na atividade, como escrever à maquina, “a música não exerce efeito positivo quanto à precisão ou exatidão do movimento, se o ritmo não for adaptado ao ritmo do trabalho. Ela reduziu a exatidão ao se escrever à máquina e a mão, sendo isto demonstrado no aumento do número de erros”.

Há pouca dúvida de que a música rítmica exerça forte apelo sobre praticamente todo ser humano. Van de Wall resume isso: “Muito do que denominamos de irresistível na música, deve-se a nossa reação a este nível sensorial motor de atuação”.

 Leonardo Oliveira - Guitarrista

Em face da relação do ritmo musical com o ritmo do corpo, não é difícil compreender por que o ritmo passa facilmente de uma para outra cultura. Em todas as civilizações primitivas, esteve evidente a atividade rítmica. Em muitas delas uma monótona sequência rítmica repetitiva foi empregada nas danças, com o propósito de afetar o bem-estar ou o comportamento do indivíduo ou do grupo.

O transe estático, foi o elemento essencial na dança cerimonial, secular ou religiosa, dos antepassados dos negros americanos. Stearns segue os vestígios da música dos adoradores conhecidos por vodun (ou voodoo) de Dahomeans, da África Ocidental para Nova Orleans, onde ela permanece como uma “reserva do ritmo em nossa cultura”. Os índios Chippewa da América do Norte usavam música na qual havia elementos de êxtase e hipnotismo. Gaston declara:

Um frenesi igual à dança dionisíaca grega reapareceu repetidamente entre os aborígenes da América do Norte. Na Dança do Espírito, por volta do ano 1870, os índios dançavam monotonamente numa formação em círculo até que, um após outro, todos caíssem rígidos e prostrados no solo. Benedict admitiu que durante a captura desses índios os que dançavam tinham visões de libertamento dos brancos.

Outros exemplos dos poderes mágicos da dança incluem o dos primitivos dançadores do nordeste do México. O que era visto nas danças dos feiticeiros na Califórnia Ambas as danças requerem algum componente de acesso cataléptico.

Referindo-se aos repetidos e monótonos ritmos de dança da cultura azteca, Gaston diz: “Isso faz lembrar o rock and roll”.

Mais recentemente, o campo da psicologia da música foi tema de estudo de cientistas soviéticos, e a relação entre o ritmo e o movimento do corpo foi claramente mostrada.

A música especialmente selecionada, aumenta a capacidade de trabalho dos músculos. Ao mesmo tempo, o ritmo de movimentos do trabalhador muda com a mudança de ritmo musical. É como se a música determinasse uma velocidade ideal do movimento rítmico. Outra série de experiências em estudantes, provou que não somente a capacidade de trabalhar é alterada sob a influência da música, mas também a pulsação e a pressão sanguínea.

Este é, apenas, um breve relato de alguns estudos científicos sobre a música e seus efeitos sobre a mente e o corpo. Entretanto, mesmo essa limitada informação traz à. baila alguns dados:

1) A música é percebida e apreciada sem necessariamente ser interpretada pelos mais altos centros do cérebro, os quais envolvem a razão e o discernimento;

2) a reação à música é mensurável mesmo que o ouvinte não preste atenção consciente dela.

Leonardo Oliveira - Guitarrista